Intersetorialidade
Falar de intersetorialidade no campo das juventudes é partir do reconhecimento de que as desigualdades que atravessam a vida dos jovens no Brasil não acontecem de forma isolada. Educação, trabalho, renda, saúde, mobilidade, segurança, cultura, participação política e justiça climática não são experiências separadas, mas dimensões que se combinam e produzem, de forma simultânea, diferentes possibilidades de acesso a direitos e de construção de projetos de vida. A interseccionalidade, forjada pela luta das mulheres negras, nos orienta sobre como raça, gênero, classe, território e geração operam juntos nessa realidade, tornando insuficientes respostas fragmentadas e políticas públicas organizadas apenas pela lógica administrativa dos setores.
Em um país profundamente desigual, a fragmentação das políticas públicas amplia vulnerabilidades e reduz a capacidade de resposta diante de crises econômicas, sociais, políticas e climáticas, às quais as juventudes estão cada vez mais vulneráveis. A ação setorializada produz respostas parciais para problemas que são vividos de forma integrada. Por isso, defendemos a intersetorialidade como caminho contrário, que busca construir respostas conectadas e orientadas pela integralidade de direitos. Trata-se de uma postura política que reconhece a complexidade das experiências juvenis e a necessidade de articulação entre diferentes atores e agendas, corresponsáveis pela proteção e garantia de direitos das juventudes brasileiras.
Nosso papel é atuar como infraestrutura de tradução e conexão entre vivências juvenis, evidências e processos de decisão, fortalecendo a capacidade do ecossistema de juventudes produzir respostas intersetoriais mais qualificadas às desigualdades que afetam os jovens. Entendemos que políticas, programas e investimentos mais efetivos não dependem apenas da coordenação entre setores, mas da escuta qualificada dos territórios, da inteligência coletiva produzida com as juventudes e da articulação entre sociedade civil, investimento social privado, lideranças locais e gestores públicos.
Como o Em Movimento estrutura sua atuação na agenda a partir da Intersetorialidade:
- Produção e tradução evidências interseccionais sobre as diferentes experiências juvenis, conectando dados, vivências e análises que ajudem a compreender a complexidade das desigualdades e a construir pontes intersetoriais voltadas à justiça social.
- Fortalecimento de respostas intersetoriais orientadas pela integralidade de direitos, defendendo que políticas de juventude não sejam tratadas de forma isolada, mas articuladas entre educação, trabalho, cuidado, clima, participação e proteção social.
- Valorização do território como espaço central de incidência, reconhecendo que é nele que as desigualdades se manifestam de forma concreta e onde a intersetorialidade se realiza ou fracassa.
- Ampliação à circulação estratégica de conhecimento, conectando evidências e narrativas a atores com capacidade de decisão em diferentes setores e fortalecendo processos de incidência pública mais consistentes.
- Defesa da transversalidade da agenda de juventudes, afirmando que juventude não é um tema restrito a uma política específica, mas uma dimensão estratégica para a democracia, o desenvolvimento sustentável e a redução das desigualdades.
Para o Em Movimento, intersetorialidade e transversalidade são inseparáveis. Enquanto a intersetorialidade responde a como construímos respostas mais efetivas para problemas complexos, a transversalidade reposiciona a juventude como prioridade política e lente analítica para diferentes agendas públicas e privadas. Nosso compromisso é fortalecer essas pontes entre saberes, setores e territórios para que as juventudes sejam reconhecidas como sujeitos centrais da transformação social e democrática do país.

