Justiça Climática

A pesquisa Pesquisa Juventudes, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (2023), mostra que “Meio Ambiente” é um dos 3 assuntos que mais interessa às juventudes, sendo que 97% acredita que esse é um assunto de todos. Isso nos mostra que a crise climática já ocupa lugar central nas preocupações das juventudes brasileiras, e evidencia a necessidade de compreendê-la a partir de uma perspectiva de justiça. Mais do que um fenômeno ambiental, trata-se de um processo que aprofunda desigualdades históricas, afetando de forma mais intensa grupos socialmente vulnerabilizados, entre eles jovens negros, ribeirinhos, periféricos e de territórios mais expostos a riscos socioambientais.

Embora os dados mostrem que parte considerável das juventudes reconhece a relevância do tema, o debate climático ainda é percebido como distante e concentrado em espaços elitizados, o que limita a participação de jovens diretamente afetados na construção de soluções. Ao mesmo tempo, os efeitos da crise como eventos extremos, insegurança alimentar e deslocamentos forçados já impactam concretamente as condições de vida das juventudes, atravessando dimensões como educação, saúde, sociabilidade e projetos de futuro. 

É fundamental superar a ideia de que a crise climática diz respeito apenas ao futuro, pois as juventudes vivem seus efeitos no presente, enfrentando riscos ampliados em situações de emergência. Ao mesmo tempo, as juventudes não podem ser compreendidas apenas a partir da vulnerabilidade, pois, em diferentes territórios, jovens têm se organizado, mobilizado e incidido sobre a agenda climática, construindo respostas concretas de adaptação e mitigação, além de disputar narrativas e ampliar o debate público. É a partir desse contexto que o Em Movimento reconhece a centralidade de atuar na agenda de justiça climática, compreendendo-a como estratégica para a garantia de direitos e para o fortalecimento das respostas construídas pelas próprias juventudes.

Como o Em Movimento estrutura sua atuação na agenda de Justiça Climática:

  • Produção e tradução de evidências, gerando dados e análises sobre os impactos da crise climática nas juventudes, com foco em desigualdades territoriais, raciais e socioeconômicas, além da tradução dessas evidências para diferentes públicos.
  • Formação política e fortalecimento de capacidades, com foco no desenvolvimento de processos formativos que apoiem jovens e organizações na compreensão da agenda climática e na construção de estratégias de incidência.
  • Fortalecimento de iniciativas territoriais, promovendo apoio a experiências locais de adaptação e mitigação lideradas por jovens, reconhecendo os territórios como espaços centrais de resposta à crise.
  • Articulação e incidência em espaços de decisão, a partir da promoção da participação juvenil em redes, fóruns e processos institucionais, contribuindo para a qualificação do debate público e a influência em agendas climáticas.

Avançar na agenda de juventudes e justiça climática exige ampliar a produção e circulação de dados sobre os impactos vividos por jovens, fortalecer sistemas de informação e garantir processos formativos que sustentem sua atuação política. Nesse contexto, o Em Movimento atua como articulador estratégico, conectando evidências, narrativas e mobilização para qualificar o debate público e impulsionar a incidência das juventudes nos espaços de decisão. Mais do que desejável, a centralidade das juventudes na resposta à crise é condição para reduzir desigualdades e construir caminhos que apontem para futuros socialmente justos e ambientalmente sustentáveis.